uma análise crítica das normas API 610, ASME B73.1 e ISO 5199
Marcelo dos Santos Romualdo
RESUMO
A referência mundial de requisitos para
projeto e desempenho de bombas
centrífugas utilizadas no segmento de
petróleo e gás é a norma do American Petroleum Institute, API 610. Porém, o
alto custo de aquisição de uma bomba
API, agregado a sua aplicabilidade
questionável em determinados serviços,
tem levado usuários a avaliarem
constantemente o uso desta norma.
Paralelo à API 610, existem duas
importantes normas consagradas na
indústria que são utilizadas na
especificação de bombas centrífugas: a
ASME B73.1 e a ISO 5199. Estas normas,
apesar de não serem tão rígidas em seus
requisitos quando comparadas à API
610, têm se mostrado adequadas para
certas aplicações. Através de uma
análise comparativa entre os principais
requisitos das normas e da identificação
de critérios para a aplicação bombas
não-API, este artigo visa suprir o usuário
de informações que o possibilite definir
qual a melhor alternativa técnicoeconômica para o seu serviço de
bombeamento, além de quebrar o
paradigma de que toda bomba utilizada
no segmento de petróleo e gás deve
seguir a API 610.
Palavras-chave: Bomba centrífuga.
Especificação. API 610.
1 INTRODUÇÃO
Há mais de cinquenta anos, a norma API
610, publicada pelo American Petroleum Institute, estabelece requisitos para
bombas centrífugas utilizadas no
segmento de petróleo e gás. O intuito
principal desta norma sempre foi
minimizar as possibilidades de falhas em
equipamentos aplicados em serviços
classificados como pesados – altas
pressões e/ou temperaturas de
bombeamento, líquido contendo sólidos
abrasivos, agentes corrosivos e/ou
substâncias perigosas. Sendo assim, a
norma é extremamente rígida no que
tange a projeto, inspeção, testes,
registros e documentação técnica.
Atualmente, a API 610 está em sua 11ª
edição. Composta de requisitos
baseados na larga experiência de
usuários e fabricantes de bombas
centrífugas ao longo de décadas, esta
norma se tornou a referência mundial
do segmento.
Apesar de ser uma referência, a norma
API 610 esbarra no alto custo de
aquisição gerado por seus requisitos. É
fato que especificar uma bomba
conforme API 610 transmite certo
conforto ao usuário final, visto que por
ser um equipamento mais robusto,
pode, por exemplo, suportar os desvios
de uma operação ineficaz e os
transientes operacionais muitas vezes
não previstos no projeto básico. Porém,
requerer o atendimento integral à API
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610 de forma indiscriminada em um
empreendimento deve ser evitado, pois
além de a norma não se mostrar
tecnicamente aplicável a determinados
serviços, este fato onera
substancialmente o custo de aquisição
dos equipamentos.
Muitos usuários de bombas centrífugas
do segmento de petróleo e gás têm
buscado alternativas de equipamentos
menos onerosos para atender serviços
onde, através de critérios
preestabelecidos, não seria necessário
especificar um equipamento API.
Normas como a ASME B73.1 e a ISO
5199, utilizadas em serviços
classificados como leves ou médios, de
uso geral, têm ganhado espaço em
algumas aplicações de menor
severidade, como utilidades,
tratamento de efluentes e transferência
de combustível. Equipamentos “padrão
fabricante”, que recebem esta
denominação por não serem projetados
segundo os requisitos de uma norma
específica, também têm sido
especificados, principalmente em
serviços onde a API 610 não é aplicável,
como captação de água, combate a
incêndio e bombeamento de borras
abrasivas (slurry).
Mediante ao exposto, este artigo se
propõe realizar uma análise comparativa
entre as normas API 610 11ª edição
(AMERICAN, 2010), ASME B73.1-2012
(THE AMERICAN, 2013) e ISO 5199 2ª
edição (INTERNATIONAL, 2010) –
principais normas de projeto e
especificação de bombas centrífugas –,
expondo seus escopos e principais
requisitos, além de ressaltar alguns
pontos importantes que devem ser
considerados na especificação de
equipamentos não-API para o segmento
de petróleo e gás. Não é objetivo do
artigo criar um filtro para a
especificação de bombas não-API, mas
fornecer informações de forma que o
usuário possa identificar qual a melhor
solução técnico-econômica para a sua
aplicação.
2 ANÁLISE DAS NORMAS API 610, ASME
B73.1 E ISO 5199
Para o usuário de bombas centrífugas é
algo desejável conhecer o escopo, os
requisitos e as peculiaridades das
normas API 610, ASME B73.1 e ISO 5199,
visto que, por serem as normas que mais
atendem aos serviços encontrados na
indústria, são as em que os principais
fabricantes se baseiam para desenvolver
os seus produtos. É raro um fabricante
de bombas centrífugas não dispor, em
seu portfólio de produtos, de
equipamentos que não sigam pelo
menos duas destas normas.
Apesar de não serem normas
desenvolvidas para atender o segmento
de petróleo e gás, a ASME B73.1 e a ISO
5199 se apresentam como alternativas à
API 610 em diversas aplicações. Desta
forma, uma análise entre os textos das
normas ajudará o usuário a confirmar
serviços onde é imprescindível a
especificação de uma bomba API e a
identificar serviços que podem receber
bombas ASME ou ISO sem que
comprometa a sua disponibilidade.
2.1 NORMA API 610
A API 610 define requisitos para bombas
centrífugas dos tipos com rotor em
balanço (OH), com rotor entre mancais
(BB) e verticais de poço úmido (VS),
incluindo bombas que trabalham como
turbinas de recuperação de energia
hidráulica (HPRT), para uso nas
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indústrias de petróleo, petroquímica e
gás natural. Seus requisitos são
estabelecidos com o intuito de
proporcionar uma maior confiabilidade
às bombas, o que segue a filosofia do
segmento de utilizar equipamentos mais
robustos e confiáveis, e que não
necessitem de intervenções durante a
campanha da unidade. As bombas API
610 são projetadas para um tempo
mínimo de funcionamento contínuo de
três anos e um ciclo de vida mínimo de
vinte anos.
Apesar de o foco da norma ser o
segmento de petróleo e gás,
recomenda-se restringir a sua aplicação
aos serviços pesados como, por
exemplo, bombeamento de alguns
produtos refinados de petróleo, água de
alimentação de caldeira, borra de
craqueamento catalítico fluido (FCC) e
injeção de água em poços. Um equívoco
muito comum na aplicação desta norma
é não levar em consideração o tipo de
serviço, visto que nem todo serviço
inserido no segmento de petróleo e gás
é classificado como pesado. A principal
razão desta recomendação é o alto
custo de aquisição de uma bomba API.
2.2 NORMA ASME B73.1
A ASME B73.1 foi criada com o objetivo
de estabelecer requisitos para bombas
centrífugas horizontais de simples
estágio em balanço, end-suction e
fixação tipo pé (OH1), utilizadas na
indústria química. Atualmente esta
norma é aceita na indústria em geral,
não se limitando somente a processos
químicos.
O grande diferencial da ASME B73.1 está
em seu requisito de padronização
dimensional. É intenção da norma que
bombas com uma mesma designação
dimensional sejam intercambiáveis com
relação à montagem, tamanho e posição
dos bocais de sucção e descarga,
dimensões da ponta de eixo e da base
metálica, posição e diâmetro dos
chumbadores, a fim de garantir uma
padronização dimensional entre os
fabricantes. Além disso, a norma
apresenta a hidráulica aproximada para
cada designação dimensional. Este
diferencial da norma produz vantagens
técnicas e econômicas principalmente
no momento da substituição de um
equipamento, algo muito comum na
indústria química. Por ser uma bomba
relativamente simples e de menor custo
de aquisição, torna-se geralmente mais
interessante substituir o equipamento
ao invés de realizar-se reparos ou
substituição de grandes partes como
carcaça e impelidor. Isto se mostra mais
evidente no caso da especificação de
bombas não metálicas, atualmente
cobertas também por esta norma
(antiga ASME B73.5).
É importante ressaltar que a ASME, na
intenção de firmar requisitos para os
principais tipos de bombas utilizadas na
indústria química, desenvolveu a ASME
B73.2 para as bombas verticais do tipo
in-line (THE AMERICAN, 2005) e a ASME
B73.3 para as bombas horizontais
magnéticas (sealless pumps) (THE
AMERICAN, 2004). Estas normas possuem
requisitos similares à ASME B73.1 no que
diz respeito a projeto, inspeção, testes,
padronização dimensional etc., e
também se apresentam como opções na
especificação de bombas não-API para o
segmento de petróleo e gás.
2.3 NORMA ISO 5199
A ISO 5199 apresenta requisitos
aplicáveis a qualquer tipo de bomba
centrífuga horizontal, vertical de poço
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seco e vertical de poço úmido.
Basicamente, possui requisitos do
mesmo nível de severidade da ASME
B73.1, sendo que a diferença entre os
textos está nos tipos de equipamentos
abordados e no requisito de
padronização dimensional que não
existe. Enquanto a norma ASME B73.1 se
restringe às bombas horizontais do tipo
OH1, a ISO 5199 expande os seus
requisitos aos demais tipos de bombas.
Particularmente para as bombas do tipo
OH1, a International Organization for Standardization (ISO) estabeleceu uma
norma de padronização dimensional e
de hidráulicas aproximadas, a ISO 2858,
com o intuito de atender a indústria
química. Cabe ressaltar que a
padronização dimensional da ISO 2858 é
distinta da padronização da ASME B73.1.
2.4 COMPARAÇÃO ENTRE OS PRINCIPAIS
REQUISITOS DAS NORMAS
O Apêndice 1 descreve alguns itens
importantes a serem considerados na
especificação de uma bomba centrífuga,
explicitando como cada norma trata o
assunto. O objetivo básico deste
apêndice é permitir ao usuário realizar
uma comparação entre as normas de
forma clara, concisa e objetiva, que o
auxilie na definição do tipo de
equipamento mais adequado a um
determinado serviço.
3 IDENTIFICANDO CRITÉRIOS PARA A
ESPECIFICAÇÃO DE BOMBAS NÃO-API
Quando se pretende especificar uma
bomba não-API para um determinado
serviço do segmento de petróleo e gás,
principalmente serviços que envolvem o
bombeamento de hidrocarbonetos, se
quer ter a garantia de que a bomba
especificada será tão confiável quanto
uma bomba API. Na grande maioria dos
casos isto não é tão simples, pois
envolve variáveis que nem sempre se
tem como avaliar no momento da
especificação do equipamento.
Conhecer as limitações mecânicas do
equipamento especificado em relação a
um equipamento API é um bom começo.
Com isso, é possível estabelecer limites
que garantam o funcionamento do
equipamento. Por exemplo, uma
diferença entre as bombas API e as
bombas ASME é o tipo de fixação da
bomba na base metálica. Todas as
bombas ASME têm montagem tipo pé. Se
forem utilizadas em altas temperaturas
de bombeamento, a carcaça irá se
expandir e se deslocar para cima, em
relação ao apoio (pés), gerando altos
esforços nos bocais e provocando o
desalinhamento do eixo da bomba em
relação ao eixo do acionador. Isto pode
levar o equipamento a uma falha, como
vazamento do selo, quebra do mancal
ou até mesmo o rompimento da
carcaça. Logo, a montagem tipo pé é
um dos motivos de a ASME B73.1 limitar
a temperatura de projeto das bombas
em 260 ºC.
Em contrapartida, as bombas API
possuem apoio do tipo linha de centro,
que permite a estes equipamentos
trabalharem em temperaturas elevadas
– limite na ordem de 450 ºC. Este tipo
de fixação faz com que a carcaça se
expanda de forma simétrica em relação
à linha de centro do equipamento,
transmitindo assim o mínimo de esforço
aos bocais e ao eixo, aumentando a
confiabilidade da bomba.
Outro exemplo válido de mencionar é
quanto à fixação da caixa de vedação à
carcaça, em bombas horizontais tipo
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OH. Nas bombas ASME, a caixa é fixada
na carcaça através do adaptador do
mancal, que geralmente é fabricado em
ferro fundido. Nas bombas ISO, esta
fixação se dá de forma semelhante,
visto que o adaptador é integral ao
mancal. Este arranjo faz com que estas
peças atuem como parte pressurizada
da carcaça. Já no projeto de uma
bomba API, a caixa de vedação é fixada
diretamente na carcaça, e o adaptador
do mancal fixado na caixa, fazendo com
que este não atue como parte
pressurizada. Este tipo de arranjo,
apesar de ser mais oneroso, garante
uma pressão máxima de trabalho
admissível (PMTA) muito superior
quando comparada à PMTA de uma
bomba ASME/ISO.
Além das limitações mecânicas do
equipamento, conhecer as
características do serviço de
bombeamento é também algo
importante a ser considerado. Mais do
que a condição normal de operação em
regime permanente, é necessário ter o
conhecimento prévio das condições
alternativas de operação, possíveis
transientes operacionais (e.g. partida,
parada e emergência), tipo de controle
de capacidade etc., a fim de garantir
que a bomba será especificada de forma
adequada.
Outro ponto importante a ser ressaltado
é quanto a saber identificar serviços que
demandam equipamentos desenvolvidos
para atenderem a outros segmentos
industriais. Na grande maioria dos casos
não cabe especificar bomba API para
estes serviços, já que a norma não se
mostra tecnicamente aplicável. É o caso
de bombas verticais utilizadas em bacias
de decantação de finos de coque em
Unidades de Coqueamento Retardado
(UCRs). Devido às características
abrasivas do serviço de bombeamento, o
mais adequado é especificar bombas do
segmento de mineração, próprias para
trabalharem com o bombeamento de
borras abrasivas (slurry). Outro exemplo
são as bombas utilizadas em serviços de
captação de água bruta e combate a
incêndio, onde o mais adequado é
especificar bombas do segmento de
tratamento e distribuição de água.
Equipamentos deste tipo, apesar de não
atenderem a uma norma especifica, são
desenvolvidos pelos fabricantes com o
intuito de serem referências de
aplicação nos serviços de bombeamento
dos segmentos industriais que visam
atender.
3.1 CRITÉRIO OBJETIVO: PARÁGRAFO Nº
1 DA API 610 11ª ED.
Uma referência para a especificação de
bombas não-API que leva em
consideração as limitações mecânicas do
equipamento está na própria norma API
610 11ª edição. O Parágrafo 1 da norma
diz respeito ao seu escopo, sua área de
abrangência. Este parágrafo cita que a
experiência industrial tem demonstrado
que o investimento em bombas
fabricadas conforme API 610 somente é
justificado quando o equipamento é
especificado para operar em condições
que excedam pelo menos um dos
parâmetros descritos na Tabela 1. Em
outras palavras, segundo a norma, não
haveria vantagem técnico-econômica
em se especificar uma bomba API para
um serviço que não exceda pelo menos
um dos parâmetros mencionados.
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Tabela 1 – Limites típicos para bombas que não requerem o atendimento à norma API 610.
PARÂMETRO
LIMITE
Pressão de descarga (manométrica)
1900 kPa
Pressão de sucção (manométrica)
500 kPa
Temperatura de bombeamento
150 °C
Rotação
3600 rpm
Altura manométrica total
120 m
Diâmetro do impelidor, bombas OH
330 mm
Fonte: AMERICAN, 2010, p. 1, adaptado e traduzido pelo autor.
Estes limites típicos foram introduzidos
na norma a partir da sua 7ª edição de
1989, com o intuito de permitir que os
usuários de bombas centrífugas
optassem por adquirir equipamentos que
não atendessem integralmente à API
610, baseados em serviços de menor
severidade, não inflamáveis e não
tóxicos. Na edição em vigor (11ª), o
parágrafo não faz menção mais às
características do serviço (não
inflamáveis e não tóxicos).
Comparando-se os valores de pressão de
descarga e de altura manométrica total
da Tabela 1 em relação às coberturas
hidráulicas comerciais dos fornecedores
de bombas API (AMERICAN, 2010, item
4.2.2), verifica-se que os seguintes tipos
de equipamentos podem ser
enquadrados dentro destes limites:
bombas horizontais de simples
estágio em balanço (OH1 e OH2);
bombas verticais de simples
estágio in-line (OH3, OH4 e
OH5);
bombas horizontais de simples
estágio entre mancais (BB1 e BB2
de simples estágio);
bombas verticais de poço úmido
(VS1 a VS7).
Logo, serviços enquadrados dentro dos
limites da Tabela 1, e que, portanto
acarretam na seleção destes tipos de
bombas, são os indicados para serem
avaliados quanto à aplicação de um
equipamento não-API, principalmente os
que requerem bombas do tipo OH2, BB1
e BB2, por serem, entre os tipos
mencionados, os mais comuns
encontrados nas unidades da Petrobras.
3.2 CRITÉRIO SUBJETIVO: EXPERIÊNCIA
OPERACIONAL
Considerar o Parágrafo 1 da API 610 11ª
edição como o ponto de partida para a
especificação de bombas não-API é
importante, mas não é o suficiente.
Conforme já mencionado, conhecer o
comportamento e as características do
serviço de bombeamento é fundamental
na hora de se tomar uma decisão. É algo
que depende da experiência operacional
de cada Unidade, o que se traduz em
informações quase sempre subjetivas e
que raramente estão disponíveis. Por
exemplo, transientes operacionais e a
operação fora do ponto de projeto do
sistema são eventos muito comuns de
ocorrerem. Porém, com que frequência
e em que intensidade? Como quantificar
e qualificar estes eventos? De que forma
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impactarão na bomba instalada? Devido
à dificuldade de responder a estas
questões, infelizmente, na dúvida, a
grande maioria dos usuários opta por
especificar a bomba conforme a API
610.
Uma forma de considerar a experiência
operacional na definição do tipo de
equipamento é através de questões que
permitam o usuário examinar de forma
crítica o seu serviço de bombeamento.
Basicamente estas questões devem levar
em consideração parâmetros como custo
material (CAPEX), custo operacional
(OPEX) e segurança, meio ambiente e
saúde (SMS). O Apêndice 2 contém
exemplos de questões que podem
orientar esta avaliação. Dependendo da
criticidade do serviço e de sua
experiência particular, o usuário pode
adicionar outras questões relevantes ao
quadro ou até mesmo estabelecer pesos
às questões propostas, o que o ajudará
na tomada de decisão.
4 CONCLUSÃO
É importante para o usuário de bombas
centrífugas do segmento de petróleo e
gás avaliar a aplicabilidade da norma
API 610 em alguns serviços de
bombeamento, com o intuito de evitar
uma especificação inadequada do ponto
de vista técnico-econômico. Conhecer
os requisitos das normas ASME B73.1 e
ISO 5199 é importante, pois são normas
consagradas na indústria e se
apresentam como opções à API 610, em
serviços leves e médios, onde os
requisitos de robustez e confiabilidade
das normas API podem ser abrandados.
O ponto de partida da avaliação deve
ser a própria norma API 610, através dos
limites estabelecidos em seu primeiro
parágrafo. Estes limites compõem a
consolidação da experiência de usuários
e fabricantes de bombas centrífugas ao
longo de décadas, e por isso não devem
ser ignorados. O segundo passo deve ser
uma avaliação do serviço de
bombeamento, levando em
consideração as suas características e a
experiência operacional do usuário.
ABSTRACT
The global reference of requirements
for the design and performance of
centrifugal pumps used in the oil and
gas industry is API 610. However the
high cost acquisition of an API pump
added its questionable applicability in
certain services has led pump users to
constantly evaluate the use of this
standard. Parallel to API 610 there are
two important renowned standards in
the industry that are used in the
specification of centrifugal pumps:
ASME B73.1 and ISO 5199. These
standards, although not as rigorous in
their requirements when compared to
API 610, have been shown suitable for
certain applications. Based on a
comparative analysis of the main
requirements of these standards and
the identification of a criteria for nonAPI pumps application, this work aims
to supply the pump user with
information that allows him to define
the best technical and economical
alternative for his pumping service,
besides breaking the paradigm that all
pumps used in the oil and gas industry
should comply with API 610.
Keywords: Centrifugal pump.
Specification. API 610.
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Item
API 610 11ª ed.
ASME B73.1-2012
ISO 5199 2ª ed.
Segmento
Petróleo,
petroquímica e gás
natural
Processos químicos
Indústria em geral
Tipo de bomba
(construção)
Horizontal e vertical
de simples estágio em
balanço (OH),
horizontal de um,
dois ou mais estágios
entre mancais (BB) e
vertical de poço
úmido de um ou mais
estágios (VS)
Horizontal de simples
estágio em balanço,
end-suction e fixação
tipo pé (OH1)
Horizontal (OH e BB),
vertical de poço seco
(OH in-line) e vertical
de poço úmido (VS)
Tempo mínimo de
funcionamento
contínuo
3 anos
Não especificado
Não especificado
Ciclo de vida
20 anos
Não especificado
Não especificado
Padronização
dimensional
Não especificada
Especificada
ISO 2858 para bombas
OH1
Limite de
temperatura (projeto
mecânico)
Não especificado
Até 260 ºC
Não especificado
Curva de AMT x Q
estável
Preferível.
Obrigatória em caso
de operação em
paralelo
Não especificada
Preferível
Curva de NPSHr
NPSH3 baseado em
água limpa. Não
permite a correção
para hidrocarbonetos
NPSH3 baseado em
água limpa (min).
Valores menores
podem ser acordados
(por exemplo,
correção para
hidrocarboneto).
NPSH3 baseado em
água limpa. Não
permite a correção
para hidrocarbonetos
Região de operação
preferida
Entre 70% e 120% do
PME
Não especificada
Não especificada
Posição do ponto
nominal (rated) em
relação ao PME
Entre 80% e 110%.
Preferencialmente o
PME deve estar entre
os pontos de operação
normal e nominal
Não especificada
Não especificada
Margem de NPSH
Não especificada
No mínimo 0,9 m ou
razão de 1,2, o que
for maior
No mínimo 0,5 m no
ponto onde o NPSHd
for mínimo
Velocidade específica
de sucção máxima
Não especificada
Não especificada
Não especificada
APÊNDICE A - Comparação entre os principais requisitos das normas API 610 11ª edição,
ASME B73.1-2012 e ISO 5199 2ª edição.
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Item
API 610 11ª ed.
ASME B73.1-2012
ISO 5199 2ª ed.
Desmontagem
Deve permitir a
remoção dos internos
sem a movimentação
das tubulações de
sucção e descarga e
do acionador, exceto
em bombas do tipo VS
e OH6
Deve permitir a
remoção dos internos
sem a movimentação
das tubulações de
sucção e descarga e
do acionador (exceto
motor elétrico C-face)
Deve
preferencialmente
permitir a remoção
dos internos sem a
movimentação das
tubulações de sucção
e descarga, exceto
em bombas do tipo VS
e BB4
Materiais
Especificados (tabela
informativa)
Especificados (tabela
informativa)
Não especificados
Pressão máxima de
trabalho admissível PMTA (carcaça, caixa
de vedação e
sobreposta)
Para bombas BB1 e
VS, deve ser
conforme, no mínimo,
a classe de pressão
dos flanges. Demais
bombas, no mínimo
40 bar @ 38 ºC
Conforme a classe de
pressão dos flanges
(classe 150 aço
carbono, 19,6 bar @
38 ºC)
No mínimo conforme
a classe de pressão
dos flanges. No caso
de bombas ISO 2858
(OH1), a PMTA deve
ser, no mínimo, 16
bar @ 20 ºC
Sobrespessura de
corrosão (carcaça,
caixa de vedação e
sobreposta)
No mínimo 3,0 mm
No mínimo 3,0 mm
No mínimo 3,0 mm
quando requerida
pelo comprador
Classe dos flanges de
sucção e descarga
No mínimo classe 300,
exceto para bombas
BB1 e VS
Classe 150
No mínimo classe 150
Forças e momentos
nos bocais de sucção
e descarga
Especificado
conforme Tabela 5 da
norma
Especificado
conforme ANSI/HI
9.6.2
Especificado
conforme Anexo B da
norma (informativo)
Suporte da carcaça
Linha de centro. Para
bombas BB operando
abaixo de 150 ºC é
permitido o suporte
tipo pé
Pé
Linha de centro acima
de 175 ºC
(informativo)
Suporte da caixa de
mancais (bombas
horizontais OH)
Não permitido
Permitido
Permitido
Configuração dos
mancais de
rolamentos
Dois mancais radiais e
um mancal axial,
combinado ou não
com um dos mancais
radiais. O mancal
axial deve ser duplex
de uma carreira de
esferas de contato
angular (série 7000),
montados em
oposição
Um mancal radial
puro e um mancal
axial-radial
Não especificada
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BOMBAS CENTRÍFUGAS INDUSTRIAIS: uma análise crítica das normas API 610, ASME B73.1 e ISO 5199
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Item
API 610 11ª ed.
ASME B73.1-2012
ISO 5199 2ª ed.
Vida dos rolamentos
(ISO 281), L10
No mínimo 25000 h na
condição nominal e
16000 h na condição
de máxima carga
No mínimo 17500 h
quando operando
dentro da região de
operação permitida
No mínimo 17500 h
quando operando
dentro da região de
operação permitida
Material da caixa de
mancais
Aço, exceto para
carcaças em FoFo
Não especificado
Não especificado
Fixação do impelidor
Chavetado
Chavetado ou roscado
Não especificada
Anéis de desgaste
Carcaça e impelidor
[1]
Não especificados
Não especificados.
Fica a cargo do
projeto do fabricante
Deflexão máxima do
eixo
0,05 mm na face do
selo primário, dentro
de toda região de
operação permitida e
com impelidor no
diâmetro máximo
0,13 mm na linha de
centro do impelidor,
dentro de toda região
de operação
permitida
0,05 mm na face do
selo primário, dentro
de toda região de
operação permitida e
com impelidor no
diâmetro selecionado
Caixa de vedação
Dimensões
padronizadas para
suportar selo
cartucho API 682
Dimensões
padronizadas para
selo não cartucho ou
gaxetas. Projeto
opcional para selo
cartucho API 682
Dimensões conforme
ISO 3069
[2]
. O projeto
deve permitir o uso
de gaxetas ou selo
mecânico (cartucho
ou não cartucho).
Selo mecânico
Tipo cartucho,
conforme API 682
categorias 2 ou 3
Não especificado.
Como opção pode ser
especificado selo
cartucho conforme
API 682 categoria 1
Não especificado
Conexões auxiliares
da carcaça
Solda de encaixe,
solda de topo ou
integralmente
flangeada
[3]
. A
conexão deve sempre
terminar em flange.
Roscadas (NPT)
Não especificadas.
Toda conexão igual ou
superior a 25 mm
deve terminar em
flange
Tubulações auxiliares
Tubing: 1/2”, 3/4” e
1”; piping: sch 80 de
1/2” até 1 1/2”.
Acima de 1 1/2”, sch
40
Tubing: 3/8” a 3/4”;
piping: No mínimo sch
40
Mínimo 8 mm de
diâmetro interno e 1
mm de parede
Conexão de dreno
Requerida
Caso solicitada
Requerida
Conexão de respiro
Requerida quando
aplicável
Não necessária
Requerida quando
aplicável
Balanceamento
ISO 1940-1 Gr.2.5
ISO 1940-1 Gr.6.3
ISO 1940-1 Gr.6.3
(min)
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Item
API 610 11ª ed.
ASME B73.1-2012
ISO 5199 2ª ed.
Limite global de
vibração
Bombas OH e BB: 3,0
mm/s RMS
[4]
; bombas
VS: 5,0 mm/s RMS
[4]
Conforme ANSI/HI
9.6.4-2009
[5]
: Bombas
com BkW até 200 kW:
4,8 mm/s fábrica e
3,8 mm/s campo;
bombas com BkW
acima de 200 kW: 5,6
mm/s fábrica e 4,8
mm/s campo
Bombas horizontais:
de 3,0 a 7,1 mm/s
RMS dependendo das
características do
equipamento; bombas
verticais: 7,1 mm/s
RMS
Acoplamento
Flexível de lâminas de
aço inoxidável, com
espaçador, conforme
AGMA 9000 Classe 9
Não especificado
Não especificado
Guarda acoplamento
Conforme ISO14120,
EN953 ou ANSI/AMT
B15.1
Não especificado
Conforme ANSI B11.19
Base
Especificada
De acordo com
ANSI/HI 1.3
Especificada
Requisitos para
acionadores
Especificados
Não especificados
Não especificados
Testes obrigatórios
Hidrostático e
desempenho
[6]
Hidrostático
Não especificados
Testes opcionais
mencionados na
norma
Funcionamento
mecânico, NPSH,
conjunto completo,
nível de ruído,
equipamentos
auxiliares e
ressonância da caixa
de mancais
Desempenho
[6]
e NPSH
Hidrostático,
desempenho, NPSH e
nível de ruído
Inspeções obrigatórias
ENDs das partes
pressurizadas (IV, PM,
LP, UT, RX etc.),
onde e quando
aplicáveis, conforme
critério estabelecido
na norma
Não especificadas
Não especificadas
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Item
API 610 11ª ed.
ASME B73.1-2012
ISO 5199 2ª ed.
Inspeções opcionais
mencionadas na
norma
Inspeção de fábrica
(visual, dimensional,
final etc.), limpeza
antes da montagem,
desmontagem de
mancais
hidrodinâmicos após
teste de desempenho,
dureza (componentes,
soldas e ZTAs), PMI
em partes
pressurizadas e
inspeção de materiais
(composição química
e propriedades
mecânicas)
Inspeção final,
desmontagem após
teste, inspeção visual
das conexões soldadas
e ENDs dos fundidos
em contato com o
fluido bombeado
Inspeção final,
inspeção visual dos
componentes antes da
montagem, inspeção
visual interna da
carcaça e dos anéis
após o teste de
desempenho,
inspeções dimensional
e visual do conjunto e
inspeção de materiais
(composição química,
propriedades
mecânicas e ENDs)
1. A norma permite para o impelidor a opção do fornecimento de uma superfície de
desgaste integrada.
2. Apesar da ISO 3069 disponibilizar dimensões de caixas de vedação para bombas
do tipo end-suction, esta norma deve ser utilizada também os demais tipos de
bombas.
3. Exceto as conexões da sobreposta do selo.
4. Aplicável a bombas com mancais de rolamentos, velocidade de até 3600 rpm e
BkW de até 300 kW por estágio, operando dentro da região de operação
preferida.
5. Aplicável a bombas com mancais de rolamentos e velocidade acima de 600 rpm,
operando dentro da região de operação preferida.
6. Teste de desempenho com medição de vibração e temperatura dos mancais /
óleo.
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Questão
Comentário
O projeto do sistema é consagrado, ou seja,
o seu comportamento é amplamente
conhecido e todas as possíveis condições de
operação e transientes operacionais podem
ser previstos e avaliados no projeto básico?
Sistemas consagrados permitem uma seleção
adequada da bomba e do controle de
capacidade, minimizando a probabilidade de
o equipamento ter que operar em situações
adversas
Existe em alguma unidade operacional da
Petrobras equipamento não-API especificado
para o mesmo serviço de bombeamento? Qual
o histórico de falhas deste equipamento?
A opinião de outros usuários é importante
para a especificação de um equipamento
não-API
Existe alguma alternativa técnica (manobra)
possível de ser realizada que possa substituir
temporariamente o serviço de bombeamento?
Sistemas que possuem flexibilidade
operacional são mais toleráveis a falhas em
seus componentes
Qual o impacto técnico-econômico gerado,
caso o serviço de bombeamento deixe de ser
realizado?
Sistemas críticos podem colocar em risco a
operação de toda a unidade industrial
O sistema dispõe de equipamento reserva?
A existência de um equipamento reserva de
certa forma garante a continuidade do
serviço de bombeamento
O serviço é continuo ou intermitente? Se
intermitente, qual a frequência de
partida/parada?
Serviço intermitente reduz o MTBF da bomba,
aumentando a probabilidade da ocorrência
de uma falha. Em contrapartida, dependendo
da frequência de partida/parada, possibilita
a recuperação ou substituição do
equipamento sem a interrupção do serviço
O líquido bombeado é perigoso, tóxico ou
inflamável?
O vazamento de um produto perigoso, tóxico
ou inflamável, provocado por uma falha
mecânica qualquer, pode colocar em risco a
integridade física dos trabalhadores, seja
pela contaminação do ambiente ou pela
ocorrência de um incêndio
Qual o tipo de controle de capacidade
especificado?
Variação de velocidade, quando aplicável,
aumenta o MTBF da bomba, pois faz com que
esta sempre opere mais próxima do seu
ponto de projeto (PME); Estrangulamento na
descarga por válvula de controle submete a
bomba a operar afastada do seu ponto de
projeto, o que aumenta a probabilidade de
ocorrência de uma falha; Controle on-off
reduz o MTBF do equipamento.
A vazão requerida pelo sistema é estável, ou
seja, varia pouco ao longo da companha?
Caso negativo, com que frequência e qual a
faixa?
Sistemas com vazões praticamente
constantes diminuem a probabilidade de
falha da bomba, principalmente se esta
estiver operando perto do seu ponto de
projeto (PME)
O sistema de controle é manual ou
automático? Se automático, pode ser
colocado em manual?
O controle manual depende da intervenção
humana, o que aumenta a probabilidade de
uma falha
APÊNDICE B - Exemplos de questões utilizadas na avaliação do serviço de bombeamento.
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Questão
Comentário
Existe algum dispositivo na descarga da
bomba que possa proporcionar um corte
instantâneo de vazão?
O corte instantâneo de vazão produz um
golpe de aríete no sistema, onde a pressão
gerada pode ultrapassar a pressão de projeto
da carcaça da bomba
O sistema abastece mais de um destino com
condições de operação muito distintas?
Esta situação pode gerar problemas na
seleção do equipamento, pois há de se dar
preferência para uma das condições de
operação (dimensionante) em detrimento das
demais. Isto faz com que a bomba, quando
em funcionamento, opere em condições
desfavoráveis, aumentando a probabilidade
de uma falha
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Marcelo dos Santos Romualdo
Graduação (2002) em Engenharia Mecânica pela UERJ. Mestrado (2011) em Engenharia
Mecânica pela COPPE/UFRJ. Petrobras. PRGE/ENG/EETC/EDC - Rio de Janeiro, RJ – E-mail:
[email protected]
Como referenciar este artigo:
ROMUALDO, Marcelo dos Santos. Bombas centrífugas industriais: uma análise crítica das
normas API 610, ASME B73.1 e ISO 5199. Rev. Técnica da Universidade Petrobras, Rio de
Janeiro, v. 1, n. 4, p. 20-35, jan. 2017. ISSN: 2359-134X.
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